As “Pegadas” Lingüísticas na Trilha de Leí

  Ó 2002

Bruce A. Santucci
 


“Para melhor entendimento da lingüística, mantivemos a grafia das palavras
arábicas conforme consta no texto original em inglês”, o tradutor. Elson C.
Ferreira, Curitiba,Brasil - Janeiro/2004) elsonferreira@pop.com.br


Velhos mapas da Arábia mostram o Golfo de Ácaba, onde o Vale de Lemuel está
localizado, como o Golfo de Lihyan. Mas por que isto me deixa admirado? Na
língua árabe isto poderia significar ‘o golfo do povo de Lihy’. Alguns não
achariam nada a respeito disso, mas para outros pode ser a primeira
indicação de que Leí deixou uma marca permanente na Arábia, uma ‘pegada’
lingüística que me levou a tentar encontrar mais algumas destas ‘pegadas’ ao
longo da trilha que Potter e Wellington apresentam como uma candidata ao
caminho que Leí tomou em direção à Terra de Abundância, no que atualmente é
o país de Oman.


Eu aprendi em minha vida nesta terra, que há dois tipos de pessoas vivendo
aqui comigo: os céticos e os crédulos.


Os céticos não acreditam em nada, até que o peso das evidências acumulado
sobrepuje seus paradigmas existentes e force-os a mudar sua maneira de
pensar. Num rodeio, eles são aqueles que, desapaixonadamente, observam o
touro, confortavelmente sentados na arquibancada do estádio.


Os crédulos, por outro lado, acreditam em tudo, até que o peso das
evidências force-os a descartarem alguns de seus paradigmas e crenças. Eles
são os únicos no rodeio que não têm medo de descer do seu lugar na
arquibancada e esperar sua vez de montar naquele touro.


Por natureza, os céticos são cínicos e pessimistas em sua abordagem às
idéias externas ao seu conhecimento e experiências. Os crédulos, por outro
lado, são otimistas, inocentes e ingênuos em seu enfoque das novas idéias.
Os crédulos normalmente são melhores que os céticos para montar as peças de
um quebra-cabeça.


Sim, sim, eu confesso que sou um crédulo, cuja mente engolfa todas as
possibilidades e assimila como verdadeiro tudo o que é descoberto, e depois
descarta o que fica provado ser falso.


Eu tenho sido privilegiado em fazer parte do ‘Nephi Project’ desde pouco
depois de seu início, e tenho gostado de ajudar George Potter, Richard
Wellington e Tim Sedor a fazer o ‘Nephi Project’.


George pensou que seria interessante se eu escrevesse um artigo especulativo
sobre um ‘possível’ desvio que Leí pudesse ter tomado com sua família
durante sua jornada ao longo da Trilha do Incenso, no que é hoje o país de
Oman. OK.


Eu chamei este artigo de ‘As Pegadas Lingüísticas da Trilha de Leí’.
O profeta Leí e seu filho Néfi eram grandes homens – ambos eram altamente
educados, instruídos, valentes e fiéis. Eles viajaram na Arábia por oito
anos (1 Néfi 17:4), ensinando o evangelho enquanto viajavam (D&C 33:8). Para
aqueles que acreditam como eu, parece que eles poderiam, de alguma maneira,
ter deixado um legado permanente na Arábia por causa de suas atividades nos
locais que visitaram ou acamparam.


Eu mencionei o Golfo de Lihayin como o ponto de partida das evidências
lingüísticas pelas quais estou procurando. Evidências adicionais repousam na
cidade de Dedan, a capital do antigo Império Lihyanita. Hoje em dia esta
cidade é chamada de Ula.


Potter e Wellington acreditam que Leí passou vários meses, ou talvez mais,
em Dedan, trabalhando e ensinando, em suas tentativas bem sucedidas para
angariar suficientes tributos, créditos de viajem e favores, a fim de
continuar na parte seguinte da jornada de sua família em direção a Medina.
Lynn e Hope Hilton foram os primeiros a trazer os Lihyanitas à atenção da
comunidade dos santos dos últimos dias, notando apropriadamente que os eles
eram o ‘povo de Lihy’, e que chegaram ao poder no nordeste da Arábia pouco
depois do tempo em que Leí passou por esse país. Existem evidências nos
velhos mapas tribais de que os Lihyanitas existiram, como também
estabeleceram sua tribo na região leste da cidade de Meca durante o tempo do
profeta Maomé.


Dedan era um centro cultural e religioso na rota das caravanas de peregrinos
e ficava ao sul dos portos, como acontece com Khor Rori na cidade de Oman, a
exata rota que Potter e Wellington acreditam que Leí tenha tomado para
chegar à Terra de Abundância.


Ela era também rota de Ka’aba em Meca na atual Arábia Saudita.
Dedan já era habitada por tribos locais, bem como por um grande número de
mercadores israelitas quando Leí e sua família chegaram lá. Os mercadores
israelitas comercializavam alimento, alugavam alojamentos e forneciam
suprimentos para peregrinos, em seu caminho para visitar Ka’aba em Meca.
Os mercadores israelitas também abasteciam com suprimentos de incenso e
outros bens as caravanas que vinham do norte, os territórios da Rainha de
Sabá no sul da Península Arábica, local que mais tarde se tornou conhecida
como a Rota Comercial do Incenso.


Ninguém sabe exatamente em que época foi que Dedan cresceu tanto para
tornar-se um centro cultural e religioso. Somente sabemos que ela chegou ao
auge da sua glória durante a época em que os Lihyanitas exerciam sua
influência sobre esta área , que pode ter terminado somente várias centenas
de anos depois (desde aproximadamente 600 a.C. até 200 a.C). Os mais
recentes trabalhos arqueológicos conduzidos nesta área têm mostrado que a
influência dos Lihyanitas espalhou-se mais do que se pensou inicialmente.
Meus instintos naturais levaram-me a acreditar que o povo Lihyanita era
descendente direto do profeta Leí ou descendentes do povo a quem Leí e Néfi
podem ter ensinado o evangelho enquanto estiveram entre eles (D&C 33:7-9).
Seu próprio nome e as evidências dos escritos dos Lihyanitas, encontrados
espalhados em toda essa área, trazem à minha mente imagens da família de
Leí. Os Lihyanitas poderiam ter sido conversos? Os registros de Qur’an
declaram que eles eram descendentes do povo de Thamud, um povo justo que
acreditava em um Deus verdadeiro. Os Hiltons indicaram que os Lihyanitas
construíram um templo em Dedan, no qual havia uma fonte que tinha as mesmas
dimensões da fonte do Templo de Salomão, em Jerusalém. A cisterna do templo
dos ‘Lihyanitas’ tinha escadas para subir até ela, e se alguém ficasse sobre
dentro dela, a metade inferior do corpo da pessoa ficaria abaixo da
superfície da terra que a circunda.


O Ministério Árabe das Antiguidades não sabe o propósito desta fonte,
entretanto fazem menção do Templo Lihyanita: "Próximo aos alicerces do
grande templo, ainda é encontrada uma grande e bem preservada cisterna
cavada numa grande pedra e que é chamada de ‘Mahlab al Naqa’".
É suficiente dizer que Dedan presenteia o crédulo com possíveis evidências
de que Leí permaneceu neste lugar por algum tempo. Aqui então nós temos uma
segunda pegada lingüística.


O principal desvio da Trilha do Incenso deixa Dedan ao sul. A 240
quilômetros mais adiante chegamos à terceira pegada lingüística de Leí
depois de Dedan – a torre de Lihin Al Lihin, que é a forma plural em arábico
da expressão ‘de Lihi’. Al Lihin hoje em dia não é nada mais que uma
tranqüila cidade agrícola, mas que pode portar significativos indícios
quanto à origem do nome da torre. Alguém que tenha vivido, trabalhado ou
viajado na Arábia Saudita, sabe que na transliteração inglesa de nomes
arábicos, estes sofrem significativas alterações, de um mapa de linguagem
para outro. Em arábico, o som das consoantes toma o som da vogal precedente.
Isto significa que ‘Lihi’ pode ser pronunciado de muitas maneiras – ‘Lehi’
ou ‘Lahi’ ou ‘Liyyah’, ou mesmo ‘Lhy’.


Além disso, os sufixos terminais arábicos transliterados em inglês que soam
como "ah" ou "ha", e algumas vezes como "ya" , são intercambiáveis. O sufixo
"ah" indica a forma feminina de um substantivo quando se deseja nomear uma
área, região, lugar, etc. O som do sufixo geralmente muda a forma masculina
do substantivo para a ‘área’ feminina onde o substantivo masculino possa
residir. O sufixo "-ah" significa ‘área de’, como por exemplo, em Riyadh,
Suleimaniha pode significar área (lugar, ou região) de Suleiman (ou
Solomão). Akrabiya significa o lugar dos escorpiões, pois ‘akrebi’ significa
‘escorpião’ e ‘ya’, neste caso, significa ‘lugar de’. Outro conhecido
exemplo com este sufixo inclui o nome de Akariya, numa região em Riyadh,
Batha’ha, ou distrito em Riyadh, Mezuriya na cidade de Dammam, e certamente
Wadi Liyyah ou Jebel Al Liyyah nos nossos mapas.


Unir um sufixo feminino a um substantivo masculino é uma prática comum
quando se designa uma área geográfica. A cidade de Ba’adah é outro desses
casos. Numerosos exemplos podem ser encontrados em toda a Arábia.
Como Joseph Smith usou o Urim e Tumim para transcrever o texto e os símbolos
encontrados nas placas, ele deve também deve ter considerado a
transliteração do som das vogais uma tarefa bastante desafiadora.


No entanto, eu não posso concordar ao ver o nome ‘Al Lilin’ no mapa de
engenharia saudita de Zaki M. A Farsi e considerar isso como uma conclusão
simplória de que tenha alguma conexão com o antigo povo ‘Lihyanita’ e com o
monumento localizado a 286 quilômetros ao norte da torre, ainda no principal
desvio da Trilha do Incenso.


Madinah Al Munawwarah era outra grande parada na antiga rota das caravanas
de mercadores e de peregrinos. Ela fica a quase 73 quilômetros ao sul de Al
Lihin. Madinah (Medina) continua a ser uma alvoroçada cidade metropolitana
em desenvolvimento, assim como era nos tempos antigos. Ela é abençoada com
abundantes fontes de água e teria sido um lugar natural de parada e descanso
para os viajantes. A aproximadamente 35 quilômetros ao norte de Medina,
situada no lado norte de uma muitíssimo rica região agrícola, está o que eu
acredito que seja a quarta pegada lingüística de Leí: Jebel Al Lihayyan, ou
o Monte de Lihayyan. Por que este monte é chamado de Lihayyan? A letra ‘n’
colocada no final do sufixo indica a forma plural, talvez, ‘o povo de
Lihay’?


Eu não estou bem certo, mas as pegadas lingüísticas que Leí deixou aqui, a
apenas 17 quilômetros da Trilha do Incenso, – a eventual Trilha de Leí,
proposta por Potter e Wellington. Ela também coloca o viajante exatamente na
área mais fértil, onde antigamente comida e água teriam sido muito
abundantes.


Já outra pegada lingüística, a Quinta, nos mapas atuais leva-nos ao
sul-sudeste de Medina, aproximadamente 28-38 quilômetros adentro dos enormes
e desolados campos de lava, onde encontramos uma região montanhosa que os
habitantes locais chamam de Hujayyat al Lihyan. Continua um mistério para
mim porque alguém desejaria viajar através destes campos montanhosos, e
certamente não teria sido um lugar muito fácil para onde se levar camelos,
provisões, mulheres e crianças. Talvez Leí tentou levar sua família por ali,
fracassou e retornou para Medina.


Certamente Leí teria dito aos moradores dali que aquele não era um terreno
muito hospitaleiro para viajantes e assim a região recebeu seu nome para
lembrar os habitantes locais de um certo povo que tentou viajar por este
caminho. A verdadeira historia perdeu-se no tempo e na história. O que nós
podemos perceber é que a Trilha do Incenso, pela qual Potter e Wellington
acreditam que Leí tenha viajado, passa pelo lado leste de Hujayyat al
Lihyan.


A próxima grande parada ao longo dessa trilha era Bishah. Eu acredito,
entretanto, que Leí pode ter tomado outra rota para chegar a este lugar. É
bem possível que ele aproveitou a oportunidade para fazer uma peregrinação
com sua família e seus seguidores até Ka’aba, em Meca. Este caminho, fora da
rota comercial do Incenso, teria sido uma jornada mais agradável para sua
família. Na trilha dos peregrinos muitos outros israelitas e cananitas de
várias partes do mundo poderiam tê-los acompanhado.


Para aqueles que podem não saber, muitos muçulmanos acreditam que Ka’aba foi
originalmente construída por Adão, o primeiro homem, sob instruções do
Senhor, como o lugar para reunirem-se e adorarem o único Deus verdadeiro e
renovar os convênios feitos com o Senhor. Depois que Adão e Eva foram
banidos do Jardim do Éden, a cidade de Ka’aba deteriorou-se e caiu em
abandono, especialmente depois do grande dilúvio nos tempos de Noé. Os
muçulmanos acreditam que Ka’aba tenha sido esquecida até que o Senhor
instruiu a Ibrahim (Abraão) a ir àquele mesmo lugar com seu único filho
naquele tempo, Ismael, de 13 anos de idade, para oferecê-lo como sacrifício,
para testar a fé e a obediência de Abraão. De acordo com os muçulmanos, foi
o sacrifício de Ismael, feito por Abraão, que foi interrompido por um anjo
do Senhor que o instruiu a substituir seu filho por um cordeiro (ou ovelha
ou cabra) que estava preso numa rocha bem perto do local. De acordo com o
Qur’an, Ibrahim e Ismael foram então instruídos a reconstruir a cidade de
Ka’aba e ser seus depositários, ou guardiões. Desde então Ka’aba tem sido o
lugar central de peregrinação para centenas de milhares de muçulmanos que
compartilham laços comuns de parentesco com as tribos de Israel através de
Abraão.


Certamente não há nenhum sinal em nenhum lugar de que Leí viajou por este
caminho, mas se continuarmos a seguir as pegadas lingüísticas de Leí, nós
encontraremos mais evidências de que ele pode ter mesmo tomado a rota dos
peregrinos.


A aproximadamente 57 quilômetros da Estrada 15 de Meca, vindo de Medina,
contornando os enormes campos de lava, nós encontramos de repente um tipo de
trilha chamada Sha’ib al Liyhan e quando nós seguimos por ela, parece-nos
ser outra tentativa para ir para o sul-sudeste para retornar para a
principal rota comercial. O que aconteceu? A trilha vai por quase 20
quilômetros através dos horríveis campos de lava e então termina
abruptamente. Novamente eu especulei que este pode ter sido um caminho
tomado por Leí enquanto a Liahona não estava funcionando e que ele insistiu
em seguir a direção indicada pela agulha da Liahona e então voltou atrás,
quando descobriu que era um caminho muito difícil. Aqui então estaria a
Sexta pegada lingüística de Leí.


Eles teriam voltado para a Trilha da Peregrinação em direção a Meca, na
atual Estrada 15. Esta trilha teria sido tomada por Leí direto para Ka’aba
e teria feito eles retornarem na direção sul-sudeste através da cidade de
Taif. A quase 11-12 quilômetros ao sul do atual anel viário de Taif na
Estrada 267, há um retorno para a Pista 4335 que acaba numa pequena cidade
chamada Ghazal. É aqui que Wadi começa, a sétima pegada lingüística de Leí.
Ela é chamada Wadi Liyyah. É um vale bastante longo que nos leva de volta
para a principal rota comercial e finalmente conecta-se a ela, continuando
para a cidade de Bishah.


Sete pegadas lingüísticas de Leí, todas dentro da rota proposta por Potter e
Wellington, parece mais do que coincidência. As conclusões a que eu chego
com respeito aos próprios nomes podem, de fato, ser minha própria síntese
imaginativa de coincidências, mas elas parecem seguir a direção básica em
que Leí e sua família viajaram em seu caminho para Khor Rori, na atual
cidade de Oman, onde nós acreditamos que, com a ajuda do Senhor, Néfi
conseguiu construir um extraordinário barco que os levou à terra prometida.
Estudos mais aprofundados nos mapas atuais aguardam para serem feitos nestas
áreas relacionadas com Leí. I acredito que, se tais estudos forem feitos,
mais evidências poderão ser encontradas para justificar, e não para
contradizer minha teoria de um desvio para Meca.

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